Prepare-se psicologicamente quando você for ao Cairo, porque acho que eu me preparei pouco.
 
Desembarcamos no aeroporto internacional do Cairo numa manhã ensolaraaaaada de quarta-feira, vindos de Istanbul, num vôo da Turkish Airlines. Na chegada, você tem que comprar seu papelzinho do visto. Você compra por USD 15 e você mesma cola no passaporte, seguindo para a imigração, onde eles carimbam sua entrada.
 



O aeroporto do Cairo é novo, bem moderno e neste quesito, dá de 10 nos do Brasil.

Tínhamos já reservado pela internet um transfer pelo Cairo Airport Shuttle Bus, por USD 25 até nosso hotel, no bairro de Giza, pertinho das pirâmides. Recomendo reservar  este transfer quando chegar ao Cairo, pois evita que você seja enganada por taxistas que ficam já dentro do aeroporto, à espreita de turistas mais desavizados. No aeroporto, também trocamos um pouco de dólares por libras egípcias.

 

 

 
Já na saída do aeroporto percebi o tanto que os egípcios (e egípcias mais ainda) encaram a gente. Eu já tinha lido a respeito disso e nem olhava pra eles, mas às vezes me distraia e lá estavam aqueles olhos estatalados olhando pra mim como se eu fosse um ET. Eu cheguei de bermuda no joelho e as mulheres ficavam olhando pro meu joelho como se ele fosse uma jóia reluzente.
No caminho para o hotel o que se vê é muita pobreza, montanhas de lixo pela estrada, carros velhos, prédios em tijolos. Aliás, no Egito, para que se tenha casas bem acabadas, tem que se pagar mais impostos, logo muita gente pinta só a fachada das casas ou nem isso, deixando as laterais no tijolo. E por causa disto e de toda sua pobreza,  a cor do Cairo é bege.


 

O trânsito é muito ruim, acho que pior que São Paulo e Bangkok. Ninguém respeita ninguém, muito menos as sinalizações. Eles metem a buzina no outro e vão passando iguais uns doidos. Para se atravessar a rua então, nem se fala. Sabe aquele jogo Freeway do Atari (meu Deus, tô ficando velha), que você tenta atravessar as galinhas no meio da rua e vão passando vários carros de várias velocidades? Pois é, me senti uma daquelas galinhas, (no bom sentido, é claro), do Atari na hora de tentar atravessar uma rua. A dica é você ir atrás dos locais e, quando eles adentrarem na pista, você se joga sem medo. E no final, os carros acabam parando para você passar. Nos últimos dias, já nos jogávamos por conta própria, sem ajuda de locais.

 

Quase 1 hora depois, chegamos ao nosso hotel, que tem raio-X na entrada, o que é comum em na maioria dos estabelecimentos públicos do Cairo. Ficamos hospedadas no Mercure Cairo LeSphinx, um 5 estrelas com vista para as pirâmides. Escolher um hotel no Cairo foi um tanto quanto complicado. A princípio íamos reservar estes hotéis bbb no centro da cidade, pra ficarmos bem próximos da cultura local, sem ficarmos presos em hotéis cheios de frescuras, onde o contato com outras pessoas é quase zero, mas aí, estudando um pouco mais, vi que por ser o Egito um país tão complicado, onde alguns hotéis reaproveitam até o resto de suco dos outros (sim, me contaram isso), decidimos não passar perrengues à toa, até porque hotéis 5 estrelas no Cairo têm preços bem atrativos. Além do mais, a vista do hotel para as pirâmides encheram meus olhos e não pensei no ponto negativo deste hotel: a distância em relação ao centro. Se fosse só pela distância, esta não era tão grande, só 18 km. O que são 18 km numa cidade grande como o Cairo? Nada! Se você considerar que o táxi é muito barato, não seria o problema. O que eu esqueci de considerar foi o trânsito infernal que pegaríamos para fazer estes 18 km, o que deixava qualquer ser humano irritado, naquele calor de matar, naqueles táxis caindo aos pedaços e sem ar que a gente pegava pela rua. Faz parte do aprendizado passar estes perrengues! Por sorte, acabamos pegando um feriado e a sexta-feira no Cairo, que é dia de folga dos muçulmanos e não pegamos quase nenhum trânsito nos dias seguintes. Por outro lado, demos azar porque o comércio ficava fechado. Então, no frigir dos ovos, eu acho que o hotel acabou valendo a pena!

o visual em frente ao hotel
Raio-X na entrada do hotel
 

 

 
Acordar com esta vista não tem trânsito caótico que desanime!
 
Depois que deixamos nossas coisas no hotel, negociamos um táxi para irmos até o centro por 40 LE (+/- R$ 12). Após 1 hora de trânsito típico cairótico e um calor de matar, chegamos ao centro, próximo do Museu Egípicio. Lá fomos nós, andando até a Tahim Square, a praça onde acontecem os famosos protestos do Cairo, mas nada de interessante. E ficamos andando tentando achar alguma coisa interessante pra se ver, mas nada! Começamos a procurar então algo confiável para comer, de modo que não precisasse usar meus remédios para diarreia depois (não riam, porque é sério). 


Tahim Square
 
Museu Egípcio do Cairo
Assanhadinho ele!

Aí achamos uma rede fast food chamada MO-MEN, que tinha um sanduíche de carne delicioso! Muito bom mesmo! Espero que a carne não seja de gato ou de camelo hehehe! Só depois achamos os McDonald’s e Pizzas Hut da vida, que ficam bem próximos da Tahim Square também.

 

Seguimos andando por uma das margens do Nilo na busca incessante por um lugar bonito e gostoso para ficar e admirar a paisagem, mas isto também foi um desafio e tanto. O rio Nilo é famoso por toda sua história ao longo dos tempos e o pôr do sol o deixa ainda mais interessante, mas alguns pontos, vêem-se barcos conhecidos como feluccas, para turistas fazerem os passeios pelo Nilo. A estação principal, que só achamos bem depois, fica em frente ao Four Seasons Hotel e chama-se Dok Dok Station.


Show de dança nos barcos pelo Nilo

 

 

 

 

 
O povo:


Quando digo para se prepararem psicologicamente para ir ao Cairo, não me refiro somente  à poluição visual desta cidade, cheia de lixos pelas ruas e rios córregos poluídos. Refiro-me principalmente ao povo, em aprender a lidar com as pessoas de lá. Prepare-se para ser parado a cada minuto por vendedores, pedintes, taxistas, e principalmente, muitas pessoas à toa, que querem saber para onde você vai, o que você procura, de onde você é, se você quer um táxi. Tem aqueles também que entram no meio da sua foto e não desconfiam que você quer tirar uma foto SUA e de mais ninguém. Olha, chega a ser bem irritante. Eles poderiam  aprender umas manhas com os brasileiros de como abordar pessoas na rua e vender suas mercadorias, de um jeito mais criativo, mas eles preferem ser chatos mesmo. É claro que tem algumas exceções, mas no geral, vai ser assim. Sair nas ruas é um teste e tanto de paciência. Aí você fala “NO” com um tom bem forte e eles não te aborrecem mais. Melhor ainda: aprenda a falar “LÁ”, que significa “NÃO” em árabe e eles vão embora rapidinho, como nos ensinou um brasileiro que conhecemos no hotel.


  

 

 

Para uma primeira tarde no Cairo, minhas impressões não foram as melhores. Tudo bem, temos que considerar que é uma cidade de 18 milhões de habitantes no norte da África. Eu sabia que ia ser assim, mas nem tanto. Minhas esperanças são que as coisas melhorem nos próximos dois dias, principalmente na visita às Pirâmides.


Cansados de rodar pra lá e pra cá, ao cair da noite, pegamos um táxi novamente e fomos pro hotel, onde bebemos, jantamos e descansamos!